Alguém já disse que "quem canta seus males espanta" e eu acho que aqui em Brasília as pessoas levam isso a sério, ou seria na brincadeira? Só sei que funciona.
Esses dias saía eu de casa irritadíssima com a mistura: secura + calor + salto alto + loooonnnggaa espera na parada de ônibus quando tchanannnnnn: encontro uma banda peruana tocando a todo o vapor dentro do ônibus! Gente, surreal foi pouco!! Antes de entrar percebi que tinha algo estranho acontecendo, até que ao chegar na roleta me dei conta: um show peruano em pleno bus! Passei pelos músicos a procura de um lugar para sentar e observar a cena. Um senhor assoprava a "flauta dos Andes" (sei lá como chama aquela flautinha que eles usam) presa no pesoço e alternadamente tocava uma espécie de banjo. Um outro mais ao fundo tocava um tambor e uma mulher com uma pochete cuidava do chocalho. E aí foi: Carnavalito, El Condor Pasa, algumas do Roberto Carlos (putz! sim...), Fagner e lá vai. Só sei que acabei comprando um CD para ajudar aquelas pessoas. Por apenas R$ 4,5 procurei recompensar os salvadores do meu dia. No ônibus, ajudei a puxar as palmas para o trio. Resultado: desci do ônibus com aquela musiquinha na cabeça (o Carnavalito, claro. Roberto Carlos ninguém merece!) e esqueci de toda a irritação que a mistura: secura + calor + salto alto + loooonnnggaa espera na parada de ônibus havia provocado em mim.
Quando cheguei no trabalho contei minha experiência para quem pude mas nada como vivenciar uma autêntica banda peruana tocando no seu ônibus! Imperdível!
Dias depois, mais uma vez tive uma experiência parecida. Não uma banda peruana mas um cobrador e um motorista cantantes! Entro no bus, só eu e uma menina e um rapaz que parecia amigo do cobrador. E aí foi um festival a plenos pulmões! O cobrador cantava e o motorista, tímidamente acompanhava. A maioria das músicas dor-de-cotovelo, mas a voz do cobrador era tão agradável e a situação toda tão inusitada que a ida ao trabalho se tornou um agradável passeio ao invés da habitual tortura. De vez em quando, dependendo da empolgação do cobrador, o rapaz sentado próximo ao cantor olhava para tras como que para ver a expressão no meu rosto e no da outra menina. De minha parte, a mais favorável possível.
Quase chegando no Supremo o cobrador saiu da dor-de-cotovelo para um Idiota Quest, ooops, Jota Quest.
Não gosto, mas confesso que baixinho também cantei: "Além do horizonte existe um lugar..."
Priscila Carvalho seguiu você de volta
Há um dia
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