Já contei aqui da má educação dos motoristas dos ônibus mas acho que esqueci de falar que o mesmo mal acomete os taxistas de Brasília.
A frota aqui é a mesma desde 1979 maaaassss, desde lá, a população quase dobrou. Resultado: não há concorrência e os taxistas tratam os clientes como querem.
Quando estava com o dedo quebrado precisei vir trabalhar de táxi e como era pelo convênio firmado com a Band, certa feita tive que ouvir um inacreditável:
- ME DA AQUI ESSE TÍQUETE! (pasmem!) de um taxista decepcionado por não receber em dinheiro. O estranho é que ele havia sido informado do fato via rádio pela operadora do radiotaxi e por mim. Fiquei chocada e só pude responder:
- O senhor poderia utilizar a expressão POR FAVOR? Quando cheguei à redação, parcialmente recuperada do baque pós-grosseria do taxista, fiz o que me veio à mente. Peguei o telefone e fiz a queixa junto a empresa de táxi a qual ele é conveniado. Mas... como é “a Brasília” não creio que tenha dado em algo.
Em alguns casos, a grosseria chega a ser engraçada. Um dia depois do fato com o tal ME DA AQUI blablabla, peguei um táxi para voltar para casa (ainda com o dedo quebrado) e na arrancada já senti o clima. O motorista mal respondeu meu boa tarde e arrancou com o som no último volume. A tragédia se completou quando ele começou a cantar, eu disse: CANTAR!
Em alto e péssimo som! E o repertório?
- PODE CHORAR, MAS EU NÃO VOLTO PRA VOCÊEEEEE, PODE CHORAR VOCÊ NÃO VAI ME CONVENCEEEEEE
Quando eu olhei no retrovisor, quase tive uma crise de riso! O taxista, que devia ter uns 40 anos, cantava e fazia caras e bocas interpretando cada parte da música. Controlei o máximo que pude a gargalhada, mas o sorriso apertado me denunciava. Nada que pudesse inibir o taxista-cantor-dor-de-corno. Quando cheguei em casa, e até hoje, me divirto pensando que só faltou o dedinho indicador em riste na parte: VOCÊ NÃO VAI ME CONVENCEEEÊE.
Priscila Carvalho seguiu você de volta
Há um dia
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