sábado, 20 de fevereiro de 2010

Duas coisas

Tudo pela segurança

Todo dia, por volta das 5h45, quando saio de casa para vir trabalhar, faço um caminho pelo pilotis do meu prédio de forma a acordar o porteiro. Explico. Em Brasília a maioria dos estacionamentos não é coberta e os carros ficam estacionados na frente dos prédios, em uma área aberta. As vezes até caminho um pouco mais, dou uma volta maior forçando um pouco os passos para que o barulho do salto fique mais alto, só para ter certeza que o porteiro acordou e vai, pelo menos, me ver entrar no carro. Just in case, you know?
Pois hoje, eu dei uma volta muito maior do que o normal. Aí resolvi dar o habitual BOM DIAAA (alto o suficiente para acordar o cara de vez) e explicar:
- Boooom diaaaa Joel!!
- Bom dia dona (aiii, doeu) Roberta.
- Eu venho sempre por aqui porque você já vê eu entrar no carro e, se um bandido estiver me esperando, você pode pelo menos chamar a polícia ahahahah.
- Tudo bem.

Camas Inusitadas

Mas quando eu cheguei próximo a guarita para falar com o Joel, percebi algo diferente e inusitado no chão.
Ao redor da cadeira do porteiro, o pequeno quadrado estava tomado por colchões finos e lençóis. Ali estavam deitados a mulher e (acho eu) um filho dele. Uma companhia silenciosa para quem passa as madrugadas longe de casa, na solidão do cubículo do bloco D da 716 Norte.

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