Tudo pela segurança
Todo dia, por volta das 5h45, quando saio de casa para vir trabalhar, faço um caminho pelo pilotis do meu prédio de forma a acordar o porteiro. Explico. Em Brasília a maioria dos estacionamentos não é coberta e os carros ficam estacionados na frente dos prédios, em uma área aberta. As vezes até caminho um pouco mais, dou uma volta maior forçando um pouco os passos para que o barulho do salto fique mais alto, só para ter certeza que o porteiro acordou e vai, pelo menos, me ver entrar no carro. Just in case, you know?
Pois hoje, eu dei uma volta muito maior do que o normal. Aí resolvi dar o habitual BOM DIAAA (alto o suficiente para acordar o cara de vez) e explicar:
- Boooom diaaaa Joel!!
- Bom dia dona (aiii, doeu) Roberta.
- Eu venho sempre por aqui porque você já vê eu entrar no carro e, se um bandido estiver me esperando, você pode pelo menos chamar a polícia ahahahah.
- Tudo bem.
Camas Inusitadas
Mas quando eu cheguei próximo a guarita para falar com o Joel, percebi algo diferente e inusitado no chão.
Ao redor da cadeira do porteiro, o pequeno quadrado estava tomado por colchões finos e lençóis. Ali estavam deitados a mulher e (acho eu) um filho dele. Uma companhia silenciosa para quem passa as madrugadas longe de casa, na solidão do cubículo do bloco D da 716 Norte.
Priscila Carvalho seguiu você de volta
Há um dia
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