Fico imaginando o momento em que a mulher do chinês Liu Xiaobo, o mais novo Nobel da Paz, pôde finalmente dar a notícia ao marido. É assustador pensar que tal novidade tenha sido anunciada em uma prisão e dois dias (sim, DOIS dias!) depois de o mundo inteiro celebrar a boa nova. Liu Xia foi isolada pelo governo Chinês desde o anúncio do prêmio na sexta-feira para que não desse entrevistas, para que não contasse ao mundo como a família do homem que foi preso por ser coautor de um documento que pedia mais liberdade ao país e pelo qual foi condenado a 11 anos de prisão.
Houve lágrimas, sorrisos, gargalhadas, abraços e beijos? Quantos guardas vigiavam os dois para impedir o brilho do momento ou teriam eles conseguido alguns minutos a sós? Teriam os algozes do ativista chinês tido um lapso de sobriedade e permitido aos dois o mínimo de privacidade? Não sabemos e certamente não nos será dado a conhecer o que ocorreu na prisão de Jinzhou, a 480 km de Pequim. É onde está Xiaobo desde 2009 e onde ele ficará até 2020 quando encerra a pena de 11 anos por subversão do poder do Estado.
Quando penso no absurdo do motivo do cárcere me pergunto se seria esta a década de 60, 70 e mesmo 80, em que liberdades foram tolhidas em tantas nações. Não, o calendário me lembra que é outubro de 2010. A julgar pela realidade chinesa, o país parou em 1949, quando o Partido Comunista assumiu o poder.
Por lá, a economia avançou e o gigante “cresce” geometricamente nos índices mundiais. Infelizmente o oposto ocorre quando nos referimos às liberdades individuais e coletivas que são massacradas diariamente a um custo que não podemos dimensionar.
Quanto custa poder dizer o que pensamos? Publicar nossas idéias? Acessar qualquer página na internet? Abraçar e beijar alguém em público? Coisas tão banais em tantos países mas um sonho ainda distante para quem vive no país do novo Nobel da Paz.
É triste pensar na possibilidade real de que, quando Liu Xiaobo sair da prisão em 2020, a mordaça invisível ainda estará sobre a boca dos chineses.
Priscila Carvalho seguiu você de volta
Há um dia
2 comentários:
Robs além do "Mara!" para o texto, quero dizer que eu A-MEI o blog. Mas venho propor outra reflexão sobre o último parágrafo, principalente: Somos livres? Todos nós temos acesso à páginas da internet? Ler o que quiser? Ler? Se abraçar e beijar? Todos?
Um beijo!!
Pois é queri, nem todos; claro. Reconheço que ainda há exclusão de muitos dos meios digitais e a liberdade poderia, sem dúvida nenhuma, ser maior.
Gostou do blog? Que booommmm! Apesar de mantê-lo meio capenga há três anos já, divulgo só para os amigos pois tem muito de mim aqui. Too much information, you know? ehehehe
bjs
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